Autor: Willian Fernandes

Café Amargo

Reza a lenda que existem lugares aos quais não se pode simplesmente chegar. Lugares perdidos entre o tempo e o espaço, sem endereço ou formas certas. Lugares sem regras, construídos por forças antigas, onde apenas os sonhos, a necessidade ou a morte podem nos abrir a porta. Entre os poucos que os conhecem de verdade, esses lugares são chamados de… Read more →

A festa de Okulu

Quando os pés descalços tocaram o chão não haviam pegadas atras dele, nem a frente. Era assim que ela chegava: saída da névoa ou da sombra. Silenciosamente. Sua presença acalmava toda a vida da savana. Os animais noturnos se aquietavam. Os predadores e as presas paravam sua eterna dança para vê-la passar. Até mesmo o poderoso vento, que no velhíssimo… Read more →

S3

Sete   Tudo começou com o barulho do chicote. O som metálico das cordas se rompendo. Markus tocava a guitarra. A luz forte tingida roxa pela folha de gelatina o cegava mas ele não precisava enxergar. Seus dedos deslizavam por metal e madeira com perfeição, arrancando do instrumento sons precisos, quase obscenos. Ele sorria. Não se importava com as manchas… Read more →

Pequenas Coisas

As vezes são as pequenas coisas que mudam as vidas das pessoas das formas mais radicais e inesperadas. Não. As vezes não. Sempre. São sempre as pequenas coisas. Os detalhes onde dizem que o diabo se esconde. As coisas grandes são diferentes. Elas são esperadas. São coisas construídas com o tempo. Nada cataclísmico nunca acontece do noite para o dia,… Read more →

O homem do terno preto

[TRIGGER WARNING] O conto abaixo contém cenas que podem despertar desconforto e/ou outras fortes emoções latentes. Luíza estava com os braços em volta de si mesma. Ela estava com frio e estava sozinha, mas acima de tudo, Luíza estava com sono, e era por isso que sorria. Luíza sorria porque sabia que iria vê-lo, e foi pensando nele que fechou… Read more →

A última carta

Existem coisas novas, coisas velhas e coisas antigas. Coisas novas perdem a graça e se tornam velhas. Coisas velhas se deterioram com o tempo e eventualmente desaparecem sem deixar traços de suas existências. Coisas antigas são um assunto a parte. Elas simplesmente são. Além do limite do tempo. Novas e velhas ao mesmo tempo. Aeternum. Vivas e mortas. E de… Read more →

A Busca

– Xièxiè O homem de olhos rasgados observou João por alguns instantes antes de cuspir ao lado da mesa e desaparecer pelas portas duplas que, em teoria, o levariam de volta a cozinha e, possivelmente, a outras cuspidas. João, entretanto, não se incomodou. Também não se incomodou com o fato de ser provavelmente o único ocidental – em uma terra… Read more →