Autor: Zulmira Carvalheiro

Começo, meio e fim

Como era charmoso o meu Otacílio! Me lembro com tanta clareza do dia em que nos conhecemos! Foi na entrevista para o meu primeiro emprego. Entrei na sala e lá estava ele atrás daquela escrivaninha enorme de madeira escura toda entalhada em belos arabescos, coisa linda mesmo. Combinava com a elegância da sala e dele próprio. Falou pra eu me… Read more →

O segredo do Cascão

Este fato é verídico. Aconteceu em um bairro periférico da minha cidade alguns meses após o golpe militar de 1964. Quem contou foi uma testemunha ocular. Certa manhã bem cedo, no ponto de ônibus em frente à padaria, desceu um homem baixinho, aparentando uns cinquenta anos. Carregava debaixo do braço um objeto embrulhado em jornal. Entrou na padaria e perguntou… Read more →

Uma rosa para Daiane

Amanhã é o último dia de aula. Acabou o curso. Quem foi aprovado, muito que bem. Quem não foi, já era. Agora só quero o meu certificado. Festa de formatura? Sai fora. Não vou desperdiçar dinheiro com besteira. Todo mundo lá arrumadinho, sorridente, fazendo de conta. Eu, hein? Quero meu certificado, mano. Chego na secretaria, pego o papel e vou-me… Read more →

A batalha do Padre Antônio

Tio Antônio era padre. Especializou-se na “unção dos enfermos”. Ou “extrema unção”, como se dizia antigamente. Nunca entendi a solicitude do meu tio. Quando recebia um chamado ele largava tudo, vestia os paramentos, pegava o frasco de óleo bento, a bíblia, e saía apressado. De dia ou de noite, com sol ou com chuva, calor ou frio, são ou doente.… Read more →

O lustre de cristal

Nossa casa em Dinkelsbühl era grande, decente, mas sem luxo. A parcimônia, quase uma filosofia de vida da família, nos proporcionava com sobriedade os confortos da época. Como se dizia então, vivíamos bem. Apenas duas extravagâncias existiam na residência: um enorme lustre de cristal na sala principal e uma adega bem guarnecida. A casa, herança do meu bisavô, fora comprada… Read more →

Nosso filho nonato

Meu amor, sei que é zero a chance de você ler esta carta. Não faz mal, trata-se apenas de uma conversa comigo mesma. Você é meu leitor imaginário. Fantasiar que estou falando com você me ajuda a colocar em ordem os pensamentos. Quem sabe um dia, por simples curiosidade, você lance o meu nome (caso dele ainda se lembre) em… Read more →