Dó(r) Maior

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12 de fevereiro

Arte nunca foi meu forte. Claro, ouço músicas, vejo filmes, vou ao teatro (ás vezes), sou um adolescente afinal de contas, ou nem tanto. A questão é que considero que não sou capaz de produzir nenhum tipo de arte, entende? Mesmo assim, ali estava eu, a caminho da Escola Técnica de Artes. Ano passado, durante a época dos vestibulares, eu não tinha muita certeza se conseguiria passa na faculdade, então me inscrevi para o curso de eventos para que, de alguma forma, eu continuasse estudando e eu estava certo: não passei na facudade e consegui a vaga em eventos.

Como qualquer primeiro dia, eu estava nervoso. Ninguém que eu conhecia ia estudar lá, então estava completamente sozinho e com frio naquela droga de metrô. O prédio era muito bonito: era quadrado e tinha uma linha marquise, um deck e um lindo coreto do lado de fora; o teto era de vidro e, como era noite, dava pra ver o céu estrelado; eram quatro andares ligados por escadas em zigue zague (mas também havia elevadores), as paredes de cada andar tinha uma cor específica, e o restante era cor de creme; no térreo, no centro do espaço, havia um palco de madeira bem grande.

Logo me dirigi pra minha sala no 4º andar. Poucas pessoas já ocupavam seus lugares e eu vi um menino ‘kinda cute’ sentado à janela. Nicholas (descobri depois seu nome) era quase tão pálido quanto uma folha sulfite, tinha cerca de 1,80cm de altura, olhos claros e uma franja loira sobre o rosto que lhe dava o charme final. Sentei atrás dele e ao nosso lado sentou Tess, uma graciosa moça, cerca de 24 anos, mais baixa que eu, cabelos negros e lisos, usava óculos redondos, uma completa intelectual.

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29 de fevereiro

O tempo passou voando. Nós três descubrimos que pegávamos o mesmo metrô pra ir pra casa, então começamos a voltar juntos e nos tornamos bem próximos. Tess tinha um primo que estudava lá também, ele fazia música, mas ainda não tínhamos o encontrado. Certo dia, saí no meio da aula pra beber água, mas o bebedouro do andar estava enguiçado, então desci para o terceiro (o andar dos músicos). Enquanto aproveitei pra encher minha garrafinha, notei que a porta de uma das salas estava meio aberta.

Dentro da sala, um jovem rapaz, cerca de 25 anos, da minha altura (1,70cm), cabelos negros, longos e lisos, traços orientais, estava junto ao piano no meio da sala e o tocava de maneira explêndida, parecia sentir cada nota de ‘my love’ da Jess Glynne. Fiquei ali até que ele acabasse, hipnotizado; então quando receei ter sido visto, voltei pra minha sala em meio a multidão nos corredores.

No fim do dia, Tess pediu para esperarmos um pouco mais, seu primo ia conosco embora. Então ele veio, o moço do piano, na minha direção e eu engasguei como nunca na vida e comecei a tossir desesperadamente.

– Pessoal esse é o Thomas – Tess fez as honras.

– Eae, galera!? – tentou ser simpático.

Conversa vai, conversa vem, chegamos no assunto relacionamentos:

– Vc namora, Thomas? – Nicholas perguntou.

– Então…é um pouco complicado…na verdade, eu não sei.

– É simples, cara. Está ou não está?

– Ninguém terminou, então, teoricamente estamos namorando. Porém ele não me responde há um tempo.

– Entendi. Bom pessoal, eu desço aqui. Até segunda! – despediu-se Nicholas.

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02 de março

Foi aniversário de Thomas. Tess nos convenceu a comprar um bolinho toda vez que alguém fizesse aniversário, então compramos o bolinho e eu comprei ainda uma caixa de bombons dourados para presenteá-lo, ele ficou super feliz com tudo. Estávamos mais próximos ultimamente [eu e Thomas]; o ônibus que ele pegava no metrô fazia a metade do caminho igual ao meu, então ia com ele até esse ponto e depois pegava o meu lá. Nisso, os apertos distamtes de mão foram virando sorrisos e abraços e abroços com beijo na buchecha de despedida. Nesse dia, enquanto ainda estávamos no metrô (que estava super cheio), trocamos alguns olhares e ele disse no meu ouvido:

– Tô com vontade de fazer uma coisa, mas preciso resolver uma outra primeiro. – sussurou arrepiando meu pescoço.

– E o que seria? – Perguntei.

-Se eu te dissesse teria que te matar! – rimos

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09 de março

Desci as escadas correndo pra ir embora logo, Thomas já estava lá embaixo:

– Vamos? – apressei.

– Só um minuto.

Ele me puxou e me de um beijo daqueles de tirar o fôlego: lento, saboreando cada segundo e me segurando firme e próximo.

– Resolveu o que tinha que resolver?

– Sim. Mandei o ex pra…bom, você sabe! Kk

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Algum dia de abril – O almoço

– Tem certeza? Não é muito cedo pra isso? – questionei enquanto me vestia.

– Tenho, não tem problema nenhum. Eles sempre reclamam que eu não levo ninguém.

Eu tremia feito vara verde. Íamos jantar na casa dele, com a família toda unida, para comemorar o aniversário de um deles. Tess e ele estavam super animados, mas eu morrendo de medo da primeira impressão. Thomas foi me buscar e fomos, chegando lá, uma senhora nos atendeu à porta:

– Ora ora, achei que ia esperar o jantar, Tom – disse, abraçando o garoto – Ah sim, deve ser Sebastian – completou dirigindo-se a mim.

– Eu mesmo, muito prazer e obrigado por me receber!

– Você gosta de comida japonesa, garoto?

– Não diria que é minha preferida, mas como sim! – menti, tinha provado poucas coisas até ali e nada que me fizesse repetir.

– Ótimo! Vamos, entrem.

Era uma casa térrea, com um enorme jardim na frente, escondendo a porta da residência, em seguida uma sala bem espaçosa, com dois sofás brancos de 3 lugares e uma TV de sei lá quantas polegadas e um bar com uma coleção invejável de destilados. A cozinha era mais aconchegante, anexa a sala de jantar, onde a família já esperava à mesa.

Nunca comi tanto na minha vida! Ao invés de coisas montadinhas, eles deixaram os itensa na mesa e vc montava seu prato, sensacional cara.

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26 de dezembro

Nem tudo são flores. Há muito não escrevia, mas foram muitos acontecimentos. Fui chamado pra uma proposta irrecusável de emprego, então não conseguia mais ver Thomas todos os dias; estávamos também planejando o trabalho final dos nossos cursos, então tava tudo uma confusão. Além disso, eu amo as festas de fim de ano e ele odeia, o que deixa as coisas um pouco difíceis, brigamos bastante esse mês, mas tenho esperanças de que ano que vem será melhor para todos nós.

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1 de janeiro

“Querido Sebastian,

Temos brigado demais. Você é muito jovem e eu acho que tem muita coisa pra vivar ainda. Não é sobre ser você ou ser eu, (mesmo que você possa melhorar a acidez com que você fala e me trata); acho que tem mais a ver com estarmos em momentos diferentes da vida. Você tem apenas 20 anos e muita coisa pra viver, não quero te privar de coisas que ainda podem acontecer na sua vida.

Você é um garoto lindo e eu não quero que você sofra um único dia por minha causa, porque eu não mereço suas lágrimas. Então pensa diretinho se não está na hora de você procurar alguém que te faça feliz.

De coração,

Thomas.”

 

Ele não me respondeu no dia 01, e quando acordei no dia 02 essa carta tava em cima do meu móvel. Ele nunca me pediu em namoro, poucas vezes disse que me amava, mas isso doeu mais que um tiro.

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Continua.

  4 comments for “Dó(r) Maior

  1. 6 de junho de 2017 at 13:30

    Como assiiiiim continua, quero saber a continuação asiuehause.
    Seu texto evoluiu =) Parabéns! Só toma cuidado em manter um padrão na escrita, pois algumas horas ele escreve de modo formal e algumas horas as palavras estão abreviadas.

    • Fabio Baptista
      12 de junho de 2017 at 17:53

      Oi Vanessa,
      Acho que vai ter continuação sim! hahah
      Vou me atentar as abreviações.
      Muito Obrigado! 🙂

  2. Willian Fernandes
    9 de junho de 2017 at 12:21

    Gostei bastante da estória. A carta no final é bem tocante. A unica coisa que eu achei que ficou estranha/artificial, foi a descrição dos personagens. Não pelas informações em si, mas pelo jeito que você as passou. Colocar tipo a altura sem ter um motivo para isso dá uma pegada de ficha médica, na minha humilde opinião… 😉

    • Fabio Baptista
      12 de junho de 2017 at 18:12

      Oi Willian, concordo, foi um pouco artificial mesmo a descrição, vou me atentar.
      Muito obrigado! 🙂

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