Um sonho talvez…

O dia estava ensolarado como de costume. Era fim de semana, tanto eu Ben, Sofia e Mônica queríamos ir a praia. Estávamos todos prontos, porém Ben ainda não havia chegado e isso nos deixou impacientes.
-Júlio! Gritou ele vindo no fim da rua.
-Finalmente! Disse Sofia pondo a mochila nas costas ao vê-lo. Então fizemos o mesmo e partimos.
Durante o percurso, as meninas passaram a reclamar da demora sendo que mal passamos a andar, então o jeito foi cortamos caminho mesmo a praia não sendo tão distante assim.
Chegando ao destino tão esperado não foi preciso uma busca de um lugar para nos acomodar pois havia poucas pessoas no local. Ben era o mais ansioso, mal chegamos e queria que entrassem no mar. Mas ele tinha razão, afinal o calor estava insuportável.
-Vamos gente, não temos o dia todo! Disse Sofia puxando Mônica consigo e passamos a seguir-las.
A maré estava alta, percebi assim que comecei a me distanciar dos demais. Gritei pelos meus amigos e eles pareciam não ouvir, tornei a repetir porém sem resultado.
Comecei a entrar em desespero, a maré me puxando e eu não tinha a quem pedir ajuda. Meus pés estavam cansados de tante se debaterem, minha respiração acelerou e eu já não sentia meus pés tocando o chão. Minha visão passou a ficar turva, até que tudo desapareceu em meio a escuridão.
Já não sabia onde estava. Acordei em uma casa rochosa com algas ao redor, peixes passando a minha frente parecia está em um aquário. Aquilo tudo não era real, só podia ser um delírio, do nada veio uma moça de calda oferecendo um líquido pegajoso prometendo que caso eu tomasse melhoraria imediatamente.
-Quem é você e onde estou? Pergunto pondo o copo em sua mesinha.
-Sou Melanie mas geralmente me chamam de Mel e caso não tenha percebido você está no fundo do mar.
Como vim parar aqui se eu praticamente estava morrendo afogado logo acima? Não sou um mergulhador nato porém ainda respirava, era como se… eu fosse um deles!
-E onde estão meus amigos? Perguntei preocupado, talvez tenham notado minha ausência.
-Isso não sei te dizer, você era o único que precisava ser socorrido então aqui está sã e salvo.
-Agradeço sua boa ação mas eu preciso voltar, não quero deixar-los preocupados.
Dito isso, seu semblante antes sereno tornou-se preocupado também. Tentei explicar-la que precisava sair dali mas antes que continuasse tapou minha boca ao ouvir uns passos lá fora.
-Você não pode sair agora. Tem guardas aqui e vocês humanos não são bem-vindos ao nosso território.
Aqui as horas pareciam não passar e eu sequer sabia se ainda era dia. Eu estava preocupado, tanto com meus amigos lá em cima e com que podia acontecer aqui em baixo então não tive outra opção a não ser ficar já que Melanie tinha uma ideia.
-É só isso que vocês humanos fazem? Disse impaciente
-Isso o quê? Perguntei ainda sonolento.
-Dormi. Anda, preciso tirar você daqui!
Num solavanco me pus ao seu lado segurando seu braço aindo em direção a porta. Todo cuidado era pouco, Melanie advertiu que havia tritões pelo local portanto fomos pelo caminho mais longo. Seria um pouco cansativo, continuou, porém assegurou que me manteria à salvo, então a segui.
Mesmo receoso, não pude deixar de apreciar o quão maravilhoso era o mar. Desde os recifes de corais aos poucos de diversas cores, as algas, dando contraste a imensa água cristalina parecidos com os olhos da sereia Melanie. A garota era realmente muito bonita, com seus cabelos longos e ondulados balançando enquanto nadava ao meu lado. As vezes me olhava como se quisesse perguntar algo porém manteve-se cantarolando uma canção até então desconhecida por mim. Sua voz me deixou hipnotizado, por um instante fechei meus olhos apreciando a canção deixando-me levar pela melodia, pareci está em outro mundo.
-Vamos parar um pouco, a caminhada está um pouco longe de terminar!
Sentamos próximo a um navio naufragado e passamos a descansar ali mesmo. Não contive a curiosidade e acabei entrando mesmo tento alguns materiais impedindo a passagem. Apesar da minha extrema alegria para ela não era novidade o naufrágio de navios por aqui. Disse ter perdido as contas das quantidades existentes no local, comentou até que esse era um dos seus favoritos quando criança.
Por mais que eu estivesse encantado com tudo aquilo não tínhamos muito tempo, como recordação acabei levando umas moedas e joias que estavam no baú.
Continuamos nossa jornada de forma mais descontraída. Passou a perguntar como era minha vida lá fora assim como perguntei como era a sua. Eu não tinha muito o que dizer, ao contrário dela que para mim parecia uma grande aventura, e por um instante queria vivenciar tudo aquilo com ela.
Eu já estava ficando cansado outra vez então tivemos que fazer outra parada, dessa vez entre as rochas. Acabei me deitando entre as algas enquanto ela apenas me observava entre as rochas. Aproveitei sua distração e fui explorar o local um pouco e acabei encontrando mais preciosidades lá. Entre pérolas e pedras acabei levando comigo uma concha que felizmente não havia nenhum caranguejo dentro.
Voltamos ao nosso percurso novamente e já não nos sentíamos estranhos pro outro, passamos a correr atrás dos cavalos marinho, rimos das bolhas que formamos com a boca e apostamos corrida com os peixes que nadavam de forma tão veloz. Parecia que toda aquela minha agonia havia sumido, eu realmente estava gostando daqui porém já havia chegado onde queria, era hora do adeus.
-Sabe Júlio, nunca me diverti tanto assim! Pena que irá parti.
-Nem me fale!
Eu não queria ir embora, por mais que estranho fosse. Se preciso eu a levaria comigo mas seria loucura simplesmente levar-la a ter uma vida diferente do habitual então a abracei fortemente. Se era por saudade ou pelo fato de deixar-la eu não soube dizer, então recebi um beijo na bochecha por ela e senti um rubor entre elas.
-Então era aqui onde estava? Disse uma voz atrás de nós!
Melanie tremia então segurei lhe a mão e pedi para acalmar-se.
-Vá, já chegou ao seu destino! Disse nervosa
-Eu não irei deixar-la! Protestei
-Vá, você não pode ficar aqui! Continuou.
-Quem é esse Melanie? Perguntou a voz.
-Ninguém! Por favor não diga que estive aqui pro meus pais!!!
-Mas trabalhamos para eles e nosso dever protegê-la!
Mantive-me aqui mesmo pedindo que fosse embora. Eu não poderia deixar-la, de qualquer forma ela se encrencar por minha causa então permaneci. Antes de tomar a tal atitude a escuridão voltou me deixando turvo outra vez.
***
-Júlio! Gritou ele no fim da rua
-Finalmente! Disse sofia pondo a mochila nas costas
Estranhei em reviver aquilo outra vez então tornei a perguntar:
-Gente, para onde vamos?
Ben me olha um tanto confuso então disse me:
-Vamos a praia não lembra? Combinamos isso a dias!
-Mas acabamos de sair de lá!
Os três me olharam confusos e eu não sabia o por que.
-O que você andou tomado Júlio? Nós nem fomos lá ainda! Disse Mônica
-Mas estivemos lá! Eu até me afoguei enquanto vocês brincavam.
-Chega de seus delírios Júlio! Você deve está no mundo da lua.
Então calei-me, não queria que achassem que estivesse louco mais do que já estava. Parecia está vivenciando um deja vu.
E não muito longe, avistamos uma garota a procura de informações.
-Bom dia, vocês podiam me dizer o supermercado mais próximo daqui?
Tive a breve impressão de já ter conhecido esta garota mas não dá maneira como está agora. Seus olhos claros, seu longo cabelo ondulado…
-Fica na segunda esquina a direita. Disse Mônica.
-Obrigado!
Certifiquei-me se realmente havia visto uma presilha de conchas do mar presas em seus cabelos enfeitando seu penteado, aquilo era coincidência demais.
-Júlio? Júlio? Ô Júlio, acorda pra vida! Disse Ben me sucumbindo. -Espero que a água te desperte, você está muito distraído!
Talvez eu tivesse sonhado ou por um instante, eu realmente saí da minha realidade.

 

 

  4 comments for “Um sonho talvez…

  1. 25 de setembro de 2017 at 20:30

    Oi, Dalila! Parabéns pela criatividade. Eu imagino que só pode ter sido um delírio do Júlio, porque algumas coisas são bem estranhas (como a sereia ter oferecido um copo com líquido para ele beber sendo que estavam imersos na água!) Fiquei pensando que se ele recolheu joias e moedas, poderia no final do conto verificar os bolsos para ver se estavam mesmo lá e assim tirar a dúvida sobre ter sido real ou imaginária essa experiência. É sempre temerário escrever sobre situações onde fica pairando esse tipo de dúvida. Lembro do filme “Encaixotando Helena”, que recebeu muitas críticas negativas porque depois de muitas peripécias descobre-se que havia sido apenas um sonho. Se eu escrevesse essa história faria Júlio acordar na praia, sem saber se havia dormido ou não, porém encontrando no final as moedas no bolso. 😉

    • Dalila
      2 de outubro de 2017 at 22:07

      Oi, muito obg gostei muito da sua análise sobre a minha história. Realmente vc tem razão, eu devia ter falado sobre os objetos que ele havia encontrado no mar, foi um pequeno deslize meu não ter notado este detalhe rsrs.

  2. Will
    5 de outubro de 2017 at 10:42

    Olá Dalila!

    Gostei da idéia do seu conto, mas por vezes senti ele meio confuso. Houveram personagens, como o tritão que apareceu no final e algumas das meninas que acabaram não tendo muita importância então, talvez, em vez de coloca-los na história, você poderia ter trabalhado mais as descrições. Como a Zulmira disse, tem algumas coisas estranhas, como a sereia falando em “caminhada” e a noção de tempo, mas isso são coisas que vem com a pratica! Espero ler mais textos seus por aqui!

    • Dalila
      5 de outubro de 2017 at 21:45

      Olá, e obrigado! 🙂
      Sobre esses pontos que vc colocou vou procurar corrigir-los para evitar esses erros nas histórias seguintes. E pode deixar, irei postar mais textos por aqui sim 🙂

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